Há uma mudança importante acontecendo no mapa do desenvolvimento econômico brasileiro. Novos investimentos em infraestrutura, energia e tecnologia têm levado grandes empreendimentos para regiões que, até pouco tempo atrás, estavam fora dos principais eixos industriais do país.
No Ceará, esse movimento é evidente. O Complexo Industrial e Portuário do Pecém vem consolidando sua posição como um dos principais polos de desenvolvimento do Brasil, atraindo projetos estratégicos que têm potencial para transformar a economia da região.
Quando falamos sobre esses investimentos, normalmente o debate se concentra na infraestrutura construída, no volume de recursos investidos ou na quantidade de empregos gerados. Todos esses fatores são importantes. Mas existe uma pergunta que considero ainda mais relevante: o que permanecerá na região depois que as obras forem concluídas?
Na minha visão, o verdadeiro legado de um grande empreendimento é a capacidade de desenvolver pessoas.
Essa reflexão ganha ainda mais importância quando olhamos para o setor de infraestrutura digital. O crescimento da computação em nuvem, da inteligência artificial e do processamento de dados tem acelerado a implantação de data centers em diferentes partes do mundo. Ao mesmo tempo, um desafio acompanha essa expansão: a escassez de profissionais qualificados.
A demanda por especialistas em elétrica, automação, manutenção, operação e infraestrutura cresce em um ritmo superior à formação desses profissionais. Esse não é um desafio exclusivo do Brasil, mas se torna ainda mais relevante em regiões que começam a receber investimentos dessa natureza e têm a oportunidade de construir uma nova vocação econômica.
É justamente nesse ponto que acredito que empresas precisam ampliar sua forma de enxergar o desenvolvimento regional.
Implantar um grande empreendimento significa muito mais do que construir uma estrutura física. Significa fazer parte da transformação de um território. E essa transformação só acontece de forma sustentável quando a população local está preparada para participar das oportunidades que estão sendo criadas.
Nenhuma empresa consegue construir esse legado sozinha. É fundamental que iniciativa privada, poder público e instituições de ensino atuem de forma integrada para ampliar o acesso à qualificação profissional, especialmente por meio de programas gratuitos e conectados às demandas reais do mercado.
Na OMNIA essa visão orienta nossa atuação desde o início do projeto no Pecém.
Foi com esse propósito que estruturamos o Desenvolve+, programa de capacitação profissional criado em parceria com o SENAI Ceará. A iniciativa nasceu para ampliar o acesso gratuito à formação profissional e aproximar moradores de Caucaia e São Gonçalo do Amarante das oportunidades geradas pelo crescimento da região.
As primeiras turmas, com 100 alunos nos cursos de Eletricista Instalador e Cabeamento Estruturado, representam apenas o início dessa jornada. Nosso objetivo vai além da formação para uma atividade específica. Queremos contribuir para o fortalecimento de uma mão de obra qualificada que possa acompanhar o desenvolvimento econômico da região ao longo dos próximos anos.
Acredito que essa seja uma responsabilidade compartilhada por todas as empresas que chegam a novos territórios. Quando investimos na formação de talentos locais, não estamos apenas preparando profissionais para ocupar vagas. Estamos criando oportunidades para que o desenvolvimento permaneça na região, fortaleça a economia local e gere impacto positivo para as próximas gerações.
O futuro da infraestrutura digital brasileira será construído por data centers, redes de energia, conectividade e inovação. Mas, acima de tudo, será construído por pessoas.
E é justamente nelas que acredito que devemos fazer nossos maiores investimentos.
Juliana Inaoka
Superintendente de ESG da OMNIA Data Centers