A Inteligência Artificial está acelerando uma transformação sem precedentes na infraestrutura digital. À medida que cresce a demanda por capacidade computacional, cresce também uma pergunta cada vez mais frequente: como expandir data centers de forma sustentável?
Entre as principais preocupações da sociedade está o consumo de água. Trata-se de um debate legítimo, especialmente em regiões onde os recursos hídricos exigem gestão responsável. Mas esse debate também precisa acompanhar a evolução tecnológica que vem redefinindo a forma como os data centers são concebidos.
Ainda é comum associar essa infraestrutura a elevados consumos hídricos. Essa percepção, porém, muitas vezes reflete modelos desenvolvidos em outro contexto tecnológico. Hoje, a eficiência no uso da água deixou de ser apenas uma meta operacional para se tornar um princípio de engenharia incorporado desde a concepção dos empreendimentos.
Os data centers da nova geração já nascem com esse DNA. A sustentabilidade não é um complemento do projeto. Ela orienta decisões que começam muito antes da operação, influenciando a escolha das tecnologias, dos sistemas de resfriamento e até mesmo da estratégia de implantação.
Na OMNIA, esse princípio norteou o desenvolvimento do Data Center Pecém desde o primeiro dia.
Projetado para 200 MW de capacidade de TI, o empreendimento utilizará um sistema de resfriamento em circuito fechado, que mantém a água em recirculação contínua e reduz significativamente a necessidade de reposição. Mesmo sendo um dos maiores projetos de infraestrutura digital da América Latina, o consumo máximo previsto é de apenas 20 m³ de água por dia, dos quais cerca de 3 m³ são destinados diretamente ao sistema de refrigeração. Os demais 17 m³ correspondem ao consumo humano e predial da operação.
Mais do que um indicador de eficiência, esse resultado demonstra que o crescimento da infraestrutura digital pode caminhar lado a lado com a gestão responsável dos recursos hídricos. Para a OMNIA, essa é uma premissa inegociável.
Essa visão também orienta a fase de implantação do projeto. Toda a água utilizada durante a construção é fornecida por caminhões-pipa abastecidos em um açude destinado às operações do Complexo Industrial e Portuário do Pecém, sem captação de rios ou de fontes utilizadas pelas comunidades do entorno. A mesma estratégia será adotada para o primeiro enchimento do sistema de refrigeração. Trata-se de uma decisão que representa um investimento adicional, mas que reflete um princípio claro: preservar os recursos naturais e respeitar as características do território onde o empreendimento está inserido.
Essa transformação não acontece apenas no Data Center Pecém. Em todo o mundo, a nova geração de data centers vem incorporando tecnologias que reduzem significativamente o consumo de água e tornam a sustentabilidade um requisito de projeto, e não apenas uma meta operacional.
O futuro da infraestrutura digital será definido pela capacidade de conciliar desempenho, eficiência e responsabilidade ambiental. À medida que a demanda por Inteligência Artificial cresce, o desafio deixa de ser apenas construir data centers maiores. Passa a ser desenvolver data centers mais inteligentes, mais eficientes e cada vez mais integrados ao território onde estão inseridos.
Porque, no fim, a verdadeira inovação não está apenas em processar mais dados. Está em fazer isso consumindo menos recursos e deixando um legado positivo para as próximas gerações.
Rodrigo Abreu
CEO OMNIA